Antropo(hip-hop)logia

FERRÉZ

Nesses dias, estava pensando cá com meus botões -pra falar a verdade, estou pensando num certo domingo e nos outros que vieram-, muitos sites, reportagens e programas estão simplesmente copiando o que papai global diz. A mídia convencional já faz isso, "clipa" as notícias e as distribui. E, agora, somos iguais, é a mídia do "hip-hop" imitando os grandes meios.


Até que ponto um documentário que foi apresentado como "furo jornalístico" nos ajuda? Alguém já pensou nisso?




O assunto é o mesmo, o documentário que a Globo exibiu, a favela desnudada, exposta, aberta, e seu ingresso é somente um aperto de botão.
Mas, calma! Refrigera sua alma antes de tomar tal decisão. Falo isso porque o "hip-hop" e a nossa literatura sempre tiveram uma atitude diferenciada da atitude do resto das pessoas sem senso crítico. Ou não?
Mas, afinal, o que isso vai ajudar? Tupac morreria de novo, se realmente estivesse vivo, vendo um irmão de cor falando como branco na cara dura, compactuando com um dos programas televisivos (jornalísticos?) mais prejudiciais ao nosso povo.
Ultimamente tá assim, muita gente aceita tudo que vai rolar, como se fosse natural, e criticar virou um defeito. Acho que é um defeito quando você só critica e não faz nada, mas se faz, meu nêgo, então, pau no gato.
Me perdoem, mas desconfio de muita coisa. Todo mundo tá correndo pelo seu -e isso é um fato-, mas tem umas atitudes em que a favela, ou nossa periferia, ou a comunidade, seja como você a chama, tá em último plano.
Até que ponto um documentário que foi apresentado e rotulado como "furo jornalístico", exibido em rede nacional, nos ajuda? Alguém já pensou nisso hoje? As críticas do então rapper MV Bill ecoaram por todos os jornais contra o filme "Cidade de Deus". Segundo ele, o filme não voltaria nada para o lugar e denegriria mais a imagem da Cidade de Deus. E fica a pergunta no ar: "E o documentário "Falcão", não denigre essa comunidade e todas as outras por onde aconteceram as filmagens?".
Até que ponto a denúncia dá vida e legitima a atitude violenta de alguém? Acho que denunciar é o que sempre fizemos, mas também com muita arte e senso positivo, lutando para um dia isso mudar. No final do documentário, fica uma pergunta, que, tenho certeza, todo mundo se fez: "E daí?".
Os telespectadores desligam a televisão e vão dormir, os comentaristas que foram convidados são uma piada. Glória Perez e Manoel Carlos vão escrever suas novelas, que é o que dá dinheiro, mas contribui para tudo que passou em "Falcão".
É, meus amigos, o efeito falando da seqüela. Ou será que a "dona Globo" daria 58 minutos para um documentário sobre o "hip-hop" enaltecendo os artistas do gueto? Não, acho que não.
O resultado é a vendagem de produtos com o nome "Falcão" e até piadas, como a do programa "Pânico", "Falcatrua, os meninos do Planalto".
Mano Brown, Consciência Humana, Gog, Realidade Cruel e eu mesmo conquistamos a favela pelo talento, não pelo escândalo. Você quer isso? Então, filma o maloqueiro com o fuzil em cima do morro, mas, no final, me dá uma dica sobre como não perpetuar isso.
Porque o telespectador já sabe que tá um caos mesmo, mas tá olhando só pro próprio umbigo, ou seja, se os problemas do morro não são parecidos com os meus problemas, então, não há problemas. Retratar o caos, pura e simplesmente, não é revolução. A nossa revolução é querer mudar, querer -de verdade- mudar. Sem essas de capitalizar em cima da miséria, que é o que muita gente tá fazendo, pensando que estamos dormindo, pensando que estamos de chapéu.
Graças ao meu pequeno dom, ganho meu $ honestamente, vendo roupas, vendo livros, vendo minhas palestras, mas nunca comercializei o gueto. O que está à venda é meu trabalho, não eu.
Não sou santo no bagulho, tenho defeitos -e muitos, por sinal-, mas vamos deixar claro um barato, tiozão, num vem jogar arroz em falso casamento, que, aí, é subestimar demais a rapaziada da favela. Pra quem não sabe, há eventos aqui, quermesses, shows na rua, teatros ao ar livre, saraus. Mas isso não atrai, felicidade não dá Ibope.
Meu povo não é só aquilo, imagens borradas, desesperança em todas as quebradas. Somos mais, muito mais.
Só quero dizer que temos que refletir, tantos meninos tiveram que morrer para alguém vender mais CDs, documentários etc. É isso? Apenas isso?
E a mudança? Orientar sobre gravidez precoce, sobre o uso de drogas, montar uma campanha real para nossos meninos e meninas desvalorizados, estigmatizados pelos olhos da elite, do próprio povo e por todos os meios de comunicação? Não podemos só mostrar a conseqüência, temos que mostrar a causa.
Nem tudo que você vê é nossa cultura, não somos antropófagos.
Pense nisso e não me fale, por favor, de discurso "hip-hopista", que isso já deu no saco, não entrei no "hip-hop" pra ser reformista. Se não, me dá a conta que eu tô saindo fora, o nosso movimento é muito bom, todo mundo entra, talvez esse seja o problema, falar em nome dele é fácil, mudar a ideologia pode parecer fácil, mas, enquanto Deus colocar ar nos pulmões desse maloqueiro aqui, a dificuldade chega.
Porque da mãe que amamenta tantos ninguém pode ferir o peito. Só isso.


Reginaldo Ferréz, rapper e escritor, é autor de "Capão Pecado" (Labortexto, 2000), romance sobre Capão Redondo, bairro na periferia de São Paulo, onde vive o escritor, e de "Manual Prático do Ódio" (Objetiva, 2003).



Escrito por Verona S.P. às 16h06
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Alguns Dados da Região do Butantã

        A iniciativa do Verona SP é desenvolvida na Região do Butantã, mais especificamente no bairro do Rio Pequeno, Zona Oeste da Cidade de São Paulo. A região conta com um CEU e uma Casa de Cultura.

        De um ponto a outro, no Butantã o sinal é de grandes contrastes. São 81 favelas, que “acolhem” 13% da população local, e 3.649 domicílios em áreas de risco, representando 10% de todas as residências existentes nos cinco distritos: Butantã, Morumbi, Vila Sônia, Raposo Tavares e Rio Pequeno (dados 2000/PMSP).

        Segundo a Subprefeitura local, enquanto 60,58% dos moradores do Morumbi ganham mais do que 25 salários mínimos, em Raposo Tavares, apenas 7,2% estão na mesma situação. Ao contrário, mais de 40% dos habitantes de Raposo Tavares e 34% dos de Rio Pequeno recebem até 5 salários mínimos, enquanto nos distritos Butantã e Morumbi esse índice não passa de 14%.

        A atividade econômica também difere de um território para o outro: os serviços estão concentrados no Butantã e no Morumbi, e o setor industrial, na área de Raposo Tavares, que é cortada pela Rodovia de mesmo nome (média de 70 mil carros/dia), um dos eixos rodoviários que fazem a ligação norte-sul do país.

        Outra questão que preocupa no Butantã é a degradação ambiental, principalmente com o desmatamento nos distritos mais periféricos Raposo Tavares e Rio Pequeno, onde, ano a ano, comunidades carentes vão invadindo terras atrás de moradia. Segundo dados do Atlas Ambiental de São Paulo(2004), de 1991 a 2000, quase 121 hectares foram desmatados no primeiro distrito, e 49 hectares, no segundo.

 



Escrito por Verona S.P. às 15h03
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VERONA SP NA MOSTRA

DIA 14/01, SÁBADO

ÀS 16H00



Escrito por Verona S.P. às 15h02
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nós estaremos lá

pra contar nossa história!



Escrito por Verona S.P. às 12h18
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CEU PERUS - 16/10

APRESENTAÇÃO NO CEU PERUS!

Montagem de luz: nota 1.000!

Triangulação

Foco: tramóias de Rosalina e Teobaldo

Olha o style da Rosalina!

TODOMUNDO!

Grupo Pandora: o mais legal de apresentar nos CEUS é

entrar em contato com outros Grupos de Teatro.

Parabéns Pandora!



Escrito por Verona S.P. às 18h54
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CEU CASABLANCA - 09/10

Apresentar no Ceu Casablanca, pra mim, é especial.

Porque é Zona Sul, porque tem Júlio e Márcia na escuta

respeitando a todos com profissionalismo.

Júlio e Eu: esse é o cara!

Montar o cenário... desafio psico-físico em qualquer

grupo de teatro! Ahahahaha

A Eli é a mais velha e experiente do Grupo. Na foto, ela

comanda o aquecimento de voz. Show de Bola, né Andreza?

Ama amada no Baile!

Julieta vê Romeu - já morto.

Tá escura, mas a-do-rei!

Rosalina: a dominadora!

A Platéia do Casablanca é impressionante!



Escrito por Verona S.P. às 19h23
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CEU INÁCIO MONTEIRO - 18/09

Indignação

Carol e a Galera: fim de peça, conversa.

 

Fomos longe de nós

pra gente se encontrar.

Cidade Tiradentes é a ponta

do lado de lá - mas fervilha

e burbulha desejo, sobrevivência

e hip hop.



Escrito por Verona S.P. às 19h14
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CURSO DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS CULTURAIS

Público: Jovens de 17 a 29 anos       

Período: 22/10 a 10/12 (Sábados)

Inscrições: a partir do dia 05/10 na Coordenadoria da Juventude - telefone 3113-9730



Escrito por Verona S.P. às 23h15
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CEU PAZ

Brasilândia

Baile

Teobaldo e Olívia

Gabi e Bianca (Rosalina e Ama)

Jane e a Kombi

Rafa (Teobaldo)

A Turma

Platéia da PAZ

Gabi, Carol e Bia - na Kombi!



Escrito por Verona S.P. às 15h14
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CEU MENINOS

Apresentação no CEU MENINOS

DIA 04/09, às 17h

Carol e Luis na Cabine (a luz foi ótima, Carol!!!)



Escrito por Verona S.P. às 16h01
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Apresentação no Projeto Casulo 28/08

Fotos no Casulo! Valeu Edu, Claudinha, Guiné, Marta, Caldeirão, Frango, e toda a galera do Teatro, do Projeto e do Real Parque!´



Escrito por Verona S.P. às 19h44
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Entrevista no site www.realhiphop.com.br

VERONA SP

(Valeu, Freitas!)

 

RHH - VERONA S.P, EXPLICA MELHOR PARA NOSSO INTERNAUTA, O QUE É, O QUE SIGNIFICA?
Bia Borin – “Verona SP” é o nome da nossa peça/projeto, uma livre adaptação da história “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, através dos elementos do Hip Hop, para SP contemporânea.


RHH - QUANTOS SÃO OS JOVENS ENVOLVIDOS, E QUAL A IDADE MÉDIA?
Bia Borin – São 7 jovens (2 atores e 5 atrizes) entre 13 e 17 anos, moradores do Rio Pequeno. Um b.boy, Fábio, de 21 anos; uma assistente de produção, Carol, de 19 anos; e eu, Bia, diretora, de 24 anos.


RHH - COMO SURGIU A IDÉIA DE FAZER UMA PEÇA , UMA ADAPTAÇÃO DE ROMEU E JULIETA, VOLTADA AO HIPHOP??
Bia Borin – Eu fui monitora do projeto “Recreio nas Férias” na EMEF Ibrahim Nobre, e trabalhei através do teatro com adolescentes acima de 13 anos. Quando acabou o projeto, eles me chamaram pra dar aula de teatro na escola, através do projeto “Escola aberta”. Um dia, estava conversando com as meninas e elas comentaram que no bairro onde moram, existe uma grande rivalidade entre dois grupos. Reclamavam que isso as afetava diretamente: se elas se envolvessem com um garoto do grupo “x”, não poderiam se envolver com alguém do grupo rival – pois era briga na certa.
“Isso me lembra uma história: Romeu e Julieta, vocês conhecem?”. E então contei, sinteticamente, a história de Shakespeare. A reação do grupo foi unânime: “É exatamente o que acontece aqui!”.
Então, encontramos nosso norte de discussão, ou melhor: fomos “obrigados” a contar esta história.


RHH - OS ENSAIOS, ESTÃO SENDO FEITOS AONDE?
Bia – Os ensaios são realizados na EMEF Ibrahim Nobre, no Rio Pequeno.

RHH - E APOIO, VCS ESTÃO TENDO APOIO DE ATORES PROFISSIONAIS??
Bia – No caso, eu sou a atriz “profissional” (rs). Me formei em Artes Cênicas na ECA/USP. Dei risada porque ser profissional hoje em dia – num sentido mais amplo - é tão relativo... é só ter um número. Pode? Não pode!


RHH - E CENÁRIO, PARTE TÉCNICA, QUEM FAZ??
Bia – O cenário quem construiu foi o Juarez (cenotécnico) juntamente com o Lobo, Grafiteiro, moradores de Osasco. A escolha das músicas foi minha; e a criação de figurino, minha e da Carol.


RHH - QUEM É O RESPONSÁVEL PELO PROJETO, A ALGUMA INSTITUIÇÃO POR TRAZ?
Bia – Esse assunto eu acho interessante. Foi uma iniciativa dos próprios jovens, eu apenas lutei burocraticamente por eles. Ganhamos a Lei VAI em dezembro de 2004, uma verba que a prefeitura destina pra pequenas iniciativas culturais. Por causa da mudança de governo, a verba saiu bem atrasada e, ainda por cima, com um corte de 30%. O legal dessa história: todos os grupos (cerca de 70) negociaram com a atual prefeitura para reaver esse dinheiro, e conseguimos. A união faz a força, e juntos podemos mudar o rumo das coisas.


RHH - E COMO ESTA SENDO A EXPERIÊNCIA PARA O GRUPO DE FAZER TEATRO, ENCENAR??
Bia – Teatro é se conhecer, conhecer o outro, conhecer a sua história. Isso já é muito legal: destruir preconceitos, construir conceitos etc. Ter contato com qualquer forma de arte é libertador, é o bem maior que o ser humano tem: é como ele se expressa no mundo. Ou seja, se expressar é ser.

RHH - E O HIPHOP, QUAL E O ENVOLVIMENTO DO GRUPO COM O HIPHOP??
Bia – O Hip Hop é um movimento cultural que sintetiza e dá voz à periferia, isso não tem dúvida. E por ser uma galera que mora na Periferia da ZO, não tinha como não envolvermos essa arte-social. Temos o ator como MC, o Grafite no cenário, o Rap (o Dj ao vivo não rolou), a Dança (no nosso caso, alguns estilos: b.boying, charm, black, locking ...) e o maior de todos, o conhecimento.

RHH - QUAIS GRUPOS DE RAP NACIONAL VCS CURTEM???
Bia – Ah, muitos, de todos os estilos, mas na nossa peça tem muito Racionais, Câmbio Negro... Ouvimos Detentos, Rappin´Hood, Sabotage, Dexter... Thaíde...


RHH - DEIXEM AQUI CONTATO E AGENDA ADS APRESENTAÇÕES...
Bia – Nosso blog está sempre atualizado, e a galera pode opinar: www.verona.sp.zip.net . Tem também o nosso email: verona.sp@gmail.com . Nossa agenda de apresentações tá no nosso blog, e os horários são confirmados com 1 semana de antecedência.


RHH - FALEM ALGO QUE NÃO FOI PERGUNTADO E QUE ACHAM QUE DEVIAM FALAR...
Bia – Conversei hoje com um grande amigo meu, que é artista plástico, muito legal, que falou uma coisa que tou pensando até agora: “Deus deu, aos homens, o livre arbítrio. Ou você o dispensa, e não toma sua vida nas mãos, ou você segue suas escolhas, como um ser dotado de plena liberdade, e se aproxima Dele.” Temos que tomar nossa vida nas mãos e sabermos que, por maior opressão que a gente sofra, a gente ainda pode fazer escolhas – por mais difícil que isso seja. E eu acredito que o contato com a arte possa ser uma pista.



Escrito por Verona S.P. às 12h48
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Desenho da nossa Olívia

A Eli!



Escrito por Verona S.P. às 12h43
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Estréia no Ibrahim

O Traço do spray do nosso cenário

A Arte do Lobo

Valeu, Thi!

Galera do Bem

Mulheres em Cena

Homens em Cena

Bia, Carol, Rafa



Escrito por Verona S.P. às 12h41
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Pessoas que fazem a diferença

 

ALÊ

 

MARCELO

 

EU E LÊ (meu eterno chefe do "Recreio nas Férias"!!)

MARLENE, A COSTUREIRA, NOSSA FASHION DESIGNER!!

 



Escrito por Verona S.P. às 12h35
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